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Mostrando postagens de 2012

Cap. 10 - Quem precisa de cinema?

A situação continua caótica. Sem chance de conseguirmos obstetras pra completar os plantões e o hospital praticamente caindo aos pedaços, parece que o fim do mundo vai chegar antes do dia 21 de dezembro. Estava matutando nisso, meio da noite de plantão, calor sufocante e sala de espera lotada, quando uma menina entrou na sala de atendimento. Bem, qualquer um diria que ela era apenas uma menina, não fosse pela enorme barriga que arrastava com seu corpinho franzino. Rose apontou a maca e pediu que ela retirasse a calcinha pra ser examinada. A menina era só gemidos. Olhei a ficha e verifiquei nome e idade. Carla Francine, quatorze anos. Aff! Acendeu-se a luz vermelha da indignação. A menina gemeu. – Ai, doutora...ai.... Coloquei a ficha na mesa e peguei um par de luvas. – O que houve Carla? O que você está sentindo? De repente, alguém do lado de fora deu um chute na porta. Eu e Rose nos olhamos e, tenho certeza, pensamos juntas: começou! Fingimos não ou...

Cap. 9 - Era uma vez...

  Hoje estou pra lá de saudosa...lembrando velhos tempos. Sérgio viajou e Rafa está passando o fim de semana na casa da avó. Tempo livre, mente voa. Fui colocar uma chaleira de água pra fazer um café quando me lembrei do meu primeiro dia no pronto socorro. Euzinha, acad do 2.o ano, me achando a médica, entrei na sala de atendimento onde o cirurgião de tórax, Dr. Luiz Carlos já se encontrava. — A doutora sabe dar pontos? Como? Ponto tipo bainha de calça? Tipo bordado que a minha avó insistia em me ensinar? — Não, senhor. — Muito bem. Vai aprender agora. Pegou dois panos, agulha curva, fio, porta-agulhas, fez a apresentação do material, do método (enquanto eu tentava fazer minhas pernas pararem de tremer) e entregou-me tudo para repetir o feito. Depois do terceiro ponto, ele deu três tapinhas nas minhas costas e disse que eu seria uma ótima cirurgiã. Fiquei na dúvida se era um elogio ou se ele tava curtindo com a minha cara. Não deu...

Cap. 8 - Um instantinho só

Meio do plantão, madrugada, quarto dos médicos. Tenho certeza que estava sonhando alguma coisa bem interessante quando a enfermeira me acordou. - Doutora Marina, chegou uma criança pra você atender. A névoa foi se dissipando. Fiquei na dúvida se me agarrava aos resquícios do sonho ou acordava de vez. Fazia o quê? Dez minutos que eu me deitara? Me apoiei no cotovelo e pisquei feito louca com a luz que vinha de fora. Como era mesmo o nome da enfermeira...Sandra. - Sandra, tô com cara de pediatra? Duas coisas me estragam a finesse: falta de café e sono. - Eu sei doutora, mas só tem a senhora pra atender, a menina tá sangrando... Tudo bem. Só tem eu. Ainda bem que tem eu, né? Uma obstetra que fez tantos partos hoje que perdeu a conta. Feriado prolongado. Todos os bebês da redondeza resolveram comemorar. Coisa mais sem graça nascer em feriado. Ninguém nunca vai querer ir na sua festinha e quem é obrigado, vai reclamar porque não pode viajar etc. Iss...

Cap. 7 - Mulher apaixonada é fogo!

A vida sempre pode nos surpreender, não é? Minha surpresa chegou com o nome de Jaci. Ela entrou lá pelo meio da tarde, meio sem jeito e trazendo um odor bizarro junto. Pensei, honestamente, que tinha um bicho morto na bolsa preta que ela trazia apertada entre as mãos. Sei lá, tem doido pra tudo. Rose me olhou e arregalou os olhos, que já são meio esbugalhados. Jaci sentou-se na beirada da cadeira ainda apertando a bolsa. - E aí Jaci. Por que você veio na emergência? Ela pigarreou. -Sabe o que é, doutora? É que eu acho que tô grávida. Olhei desconfiada pra ela. A bolsa me olhava, eu olhava a bolsa. - Hum. Acha? - É que minha regra tá muito estranha. Mês passado veio normal e foi embora de repente. Até estranhei. Aí, esse mês era pra ter vindo e só veio uns pingos. Nunca aconteceu isso não. - E porque você não fez um teste de farmácia ao invés de vir até aqui? Se eu não terminasse logo o atendimento era capaz da Rose desmaiar. Jaci ...