Cap. 10 - Quem precisa de cinema?
A situação continua caótica. Sem chance de conseguirmos obstetras pra completar os plantões e o hospital praticamente caindo aos pedaços, parece que o fim do mundo vai chegar antes do dia 21 de dezembro. Estava matutando nisso, meio da noite de plantão, calor sufocante e sala de espera lotada, quando uma menina entrou na sala de atendimento. Bem, qualquer um diria que ela era apenas uma menina, não fosse pela enorme barriga que arrastava com seu corpinho franzino. Rose apontou a maca e pediu que ela retirasse a calcinha pra ser examinada. A menina era só gemidos. Olhei a ficha e verifiquei nome e idade. Carla Francine, quatorze anos. Aff! Acendeu-se a luz vermelha da indignação. A menina gemeu. – Ai, doutora...ai.... Coloquei a ficha na mesa e peguei um par de luvas. – O que houve Carla? O que você está sentindo? De repente, alguém do lado de fora deu um chute na porta. Eu e Rose nos olhamos e, tenho certeza, pensamos juntas: começou! Fingimos não ou...