Cap. 8 - Um instantinho só
Meio do plantão, madrugada, quarto dos médicos. Tenho certeza que estava sonhando alguma coisa bem interessante quando a enfermeira me acordou. - Doutora Marina, chegou uma criança pra você atender. A névoa foi se dissipando. Fiquei na dúvida se me agarrava aos resquícios do sonho ou acordava de vez. Fazia o quê? Dez minutos que eu me deitara? Me apoiei no cotovelo e pisquei feito louca com a luz que vinha de fora. Como era mesmo o nome da enfermeira...Sandra. - Sandra, tô com cara de pediatra? Duas coisas me estragam a finesse: falta de café e sono. - Eu sei doutora, mas só tem a senhora pra atender, a menina tá sangrando... Tudo bem. Só tem eu. Ainda bem que tem eu, né? Uma obstetra que fez tantos partos hoje que perdeu a conta. Feriado prolongado. Todos os bebês da redondeza resolveram comemorar. Coisa mais sem graça nascer em feriado. Ninguém nunca vai querer ir na sua festinha e quem é obrigado, vai reclamar porque não pode viajar etc. Iss...