Cap. 1 - Meu Reino por um Médico
A admissão não estava nem melhor nem pior do que todos os dias. Uma fila de gestantes na recepção, as duas salas em atendimento, o pré-parto com todos os leitos ocupados, quatro gestantes sentadas em cadeiras de plástico e duas em macas no corredor. Ah, não posso esquecer do “banco da esperança” onde mais quatro gestantes, uma delas com óbito fetal, aguardavam uma vaga em outro hospital. Normal. Isso acontece todos os dias. O povo não para de ter filhos e os hospitais continuam os mesmos e blah, blah, blah. A conversa de sempre. O que ninguém podia adivinhar é que estávamos enfrentando uma baita crise: A falta de médicos nos plantões. Mas porque não tem médico? perguntam os pacientes, e está claro que não vou entrar em detalhes sobre os salários baixos que obrigam os médicos a procurar outros hospitais ou clínicas particulares. De que adianta? As pacientes só querem saber se alguém vai atendê-las, e quando. O aviso fixado na porta do nosso dormitório – dois b...